Poesias de Abima

Poemas



Derradeiro Beijo

Derradeiro Beijo

Eu,

Absurdamente vazio,

Vi no horizonte

O brilho ofuscante

Do teu olhar.

 

Meu corpo,

Embriagado do teu perfume,

Cambaleante seguindo em frente,

Indo em tua direção

Cheio de esperança de te encontrar.

 

Minha mente

Com fixo pensamento,

Idealizando mil palavras,

Para extasiar-te

De gracejos e doçuras,

Num encantamento de contemplação.

 

Vem

Fica agora com a minha alma

Que já é tua deste o nascimento.

Fica para ti o coração

Que não baterá mais por mim,

Já que ele agora é teu.

 

Toma que é teu

O meu amor de devoção.

Leva-me cativo

Para onde os amantes solitários

Encontrão o perdão

Por amar tão infinitamente.

 

E por fim beija-me

Com o derradeiro beijo ardente

De quem, conscientemente,

Ama pela última vez

No curso fúnebre

Da própria existência.

 

Abimael Borges



Escrito por Abima às 18h08
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Pela Meta(de) Amar

PELA META(DE) AMAR

 

Se

Quiçá

Talvez

Quem sabe

Amar pela metade

Sabe, mas    

Porém

Contudo

Todavia

Entretanto

No entanto

Não obstante,

deixa de ser interessante.

Contudo, amar pela meta de amar dependente

Muito embora seja pela metade, incoerente

  Mas nunca deixar de ver o mar à frente.

Porém, amar pela meta continuamente,

                  todavia nunca pela metade.

     Para ser ar e dentes e cores únicas.

            Por em toda via a meta de amar

      Com tudo e tanto e sempre é bastante

Nada como antes ou talvez de antigamente.

E se quiser que seja diferente

Amar igualmente e para sempre

Pra não deixar de ser interessante.

 Atraente

 Fascinante

 Instigante

 Excitante

 Provocante

 E picante.



Escrito por Abima às 21h10
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A CANÇÃO DO FIM

A fim de te proteger de mim
Eu me destruí – me aniquilei
Pra que seu sorriso fosse eterno
Em meio ao ardor de meus infernos
E as incertezas deste meu coração vadio
Pra ter você sempre viva em mim
Reluzente tal qual planta
À beira dos riachos
De minhas cachoeiras de embaraços
Eu quis te poupar...
E te poupando de mim
Vi-me perto do fim
Num despenhadeiro de ilusões

Só de pensar como eu te quis
Dá-me logo ânsias mórbidas
Sangue corre do nariz
E meus olhos ardem de pesar
No cair da noite eu sofri
Porque o sonho não quis me acompanhar
Na escuridão me arrependi
Porque tive medo de enfrentar
Na manhã seguinte eu chorei
Eu estava vivo outra vez
E tudo estava no mesmo lugar

Deram-me espelhos para eu me olhar
Vi que meu reflexo não se refletiu
E me perguntei quem estaria lá?
Se lá não estou, quem está cá?
Deram-me espaços para eu cantar
A canção que era de dormir
Eu já não sabia mais cantar
E interpretei uma canção ao fim

Meu amor vá pra bem longe
Eu não quero te ferir
Sinto que sou tenebroso
Meu desgosto é tão doentio
Que pode contagiar
Vou vagar por mil destinos
Num deles morrer sozinho
E tu segues teu caminho
Para eu não te ver chorar



Escrito por Ab maEl às 18h34
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Transverso

 

TRANSVERSO

 

Sorrir

Apesar das emoções

Pra ser fácil de viver

Com os sorrisos mais banais

Com a inconstância do olhar

 

Voar

Entre nuvens e canções

Pra ser fácil de sentir

E julgar o coração

E olhar com o perdão

 

Sonhar

Com palácios de cristal

Pra entender o quanto é mal

A realidade de viver

E acertar nas opções

Nas escolhas que fizer

 

Ser

Tão descrente

Não acreditar em flores

Nos mais ardentes amores

Um avesso de Arlequim

Mesmo estando tudo em festa

Nunca dar valor às cores

Ao som belo das orquestras

Ao frescor dos odorantes

 

O transverso do reverso

No arremesso das circunstâncias

Abraçado à tolerância

O que é e o que quer ser

Acreditando na falência

Do inverso de outro ser

Mediando conflito armado

Entre Deus e o diabo



Escrito por Ab maEl às 09h24
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Gota de Felicidade

Gota de Felicidade

A gota de felicidade

que um dia eu tive

se esvaiu de repente

Como pode a felicidade abandonar o coração da gente?

Perdi minha felicidade na pétala de uma rosa.

Como? Sendo ela tão meiga? Tão bondosa?

Sumiu minha felicidade na pétala de uma rosa.

E a rosa tão carinhosa

ressequida foi muchando

foi sumindo - foi secando

E em sua morte foi nascendo

uma tristeza horrorosa

Morreu minha felicidade na pétala de uma rosa.



Escrito por ABS às 11h57
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Andarilho Errante

 

Meu coração é um andarilho.

É um andarilho errante.

Percorre caminhos distantes,

Achando maravilhoso:

Quando vê uma flor

Desaba de amor;

Se uma pedra vir,

Desaba a sorrir;

Se alguém o machuca,

Diz que não teve culpa;

Se de novo o magoa,

Novamente perdoa.

Se lhe negam a mão,

Vai lá meu errante coração,

Andarilhando à toa.



Escrito por ABSírius às 18h40
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BRASIL, Nordeste, SATIRO DIAS, Centro, Homem, de 26 a 35 anos, Arte e cultura, Informática e Internet
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